Poleiros

EXPOSIÇÃO “TOPOGRAFIAS AÉREAS: UMA FÁBULA SOBRE POLEIROS E ARTISTAS”

O EXA recebeu a exposição “Topografia aérea: uma fábula sobre poleiros e artistas” é a última etapa do projeto homônimo patrocinado pelo edital Rede Nacional Funarte de Artes Visuais (9ª edição). O projeto teve início em abril, quando se reuniram na Fazenda Fortaleza (município de Cumari – GO) os artistas, arquitetos, designers e geógrafos Ana Reis (MG/ GO), Thiago Costa (SP/ MG), Maicyra Leão (SE/ BA/ Alemanha), Cristiano Piton (BA), Tiago Ribeiro (BA), Glayson Arcanjo (MG/ GO), Pedro Britto (SP/ BA), Cacá Fonseca (GO/ BA) e Renata Marquez (MG). Durante 19 dias instaurou-se um processo criativo coletivo, a partir de duas frentes de ações: um atelier e uma residência, que explorou diferentes acepções de poleiro, abarcando desde o sentido da domesticidade, da casa, do íntimo, até o sentido do pouso, do descanso, do sono. Afloramentos do espaço remetidos à pausa, à permanência duradoura, à estação intermediária para acolhimento frente às grandes travessias.

O atelier e a residência pousaram sobre as instalações da fazenda, que se encontravam num estado de indistinção entre a inoperância, o sucateamento, o arruinamento, o abandono e o envelhecimento. As topografias aéreas e a fabulação enquanto horizontes estéticos acionaram os testemunhos destes estados, o último vestido abandonado no mofo do armário, as serras e correias atracadas à ferrugem da serraria desativada, o mobiliário manco, a argila em latência, a motosserra ociosa, a ruína de uma tapera, as rodas de arado relegadas à solidão inerte do quintal; ativaram campo sujo e campo limpo, bambuzal, rio, mina, pontilhão ferroviário, garagem, galpões; e imantaram a memória desta adversidade com outras territorialidades, outras paisagens, de intensidades estéticas aí infiltradas pela possibilidade do pouso e da permanência.

Na sua fase conclusiva, o projeto percorreu quatro cidades: Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Goiânia (GO) e Aracaju (SE), e irá ocupar pontos de cultura, galerias independentes e espaços expositivos das Universidades Federais aí sediadas. Trata-se de uma exposição itinerante, fabulada a partir das seguintes famílias conceituais: pelos ares, pouso, coletores, inventário de inoperâncias e diário. A itinerância, convertida em expansão deste primeiro processo de ocupação da fazenda, é instigada pela ideia de transporte de paisagens, com a partilha dos registros, fragmentos, objetos, protótipos, ações performativas, conversas e o lançamento do livro. Uma nova rota para o pouso deste agrupamento de criadores faz-se como possibilidade de dilatar o tempo-espaço da residência-atelier em um processo de formação e crítica expandida, migrações entre a geografia remota circunscrita à fazenda e suas microrredes de vizinhança e às múltiplas conexões deflagradas pela dimensão pública assumida pela itinerância.

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